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Morar Mais Por Menos Rio de Janeiro 2007
"Ame a natureza" é mote da mostra carioca

 Por Maria Alice Miller (*)

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edição 24 Set/07

Tremendamente in, o apelo pelo respeito à natureza, pela valorização de peças e produtos que sejam produzidos de forma sustentável, e pelo reuso, reciclagem e reaproveitamento de materiais foi o mote escolhido para a mostra "Morar Mais Por Menos" deste ano no Rio de Janeiro. O "Cliente alvo" definido pela organização do evento para os profissionais participantes é aquele que "(...) além de viajado, bem sucedido, de extremo bom gosto e apegado ao dinheiro, é também amante da natureza". Um belo perfil sem dúvida, e igualmente, bastante desafiador.

Não é preciso ser profissional da área de construção civil para saber dos enormes desperdícios envolvidos na construção e reforma de residências e de edificações em geral, e ainda mais, dos danos causados ao meio-ambiente tendo como objetivo atender a esta atividade. A enorme maioria das florestas devastadas mundo afora, e que hoje já estão nos fazendo falta, viraram, além de combustível para atender ao aquecimento doméstico, estruturas para móveis e construções, além de revestimentos. E a verdade é que esta marcha continua, em que pese a fiscalização dos governos e a crescente consciência ecológica das pessoas em geral.

Por tudo isso, a idéia de criar uma mostra assim deve ser muito bem vinda. É necessário divulgar produtos e alternativas viáveis, tanto do ponto de vista ecológico quanto econômico, sem esquecer do bom gosto e da estética. E pensando nisso, os profissionais se engajaram bastante para destacar vários produtos e peças que demonstram que é possível ter uma "casa ecológica". Vimos como os mais interessantes os que listamos a seguir.

Poltronas e pufes que re-utilizavam pneus em sua estrutura - uma grande novidade, pois o que não vemos nos interiores dos móveis, também pode causar estragos e degradação ao meio-ambiente. A grande maioria dos móveis que utilizamos em nossas casas ainda tem estrutura de madeira, sabe-se lá de que origem.

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A poltrona e o pufe ecológico estavam presentes no "Café Orgânico",
ambiente de
Evelyn Steinberg e Beto Najman

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Objetos como relógios de parede, que também re-utilizaram a borracha de pneus usados, um dos grandes problemas ambientais.
O re-uso da borracha deve ser um desafio constante perseguido pela população mundial.

O "Quarto do adolescente", de Carol Freitas e o detalhe dos relógios feitos com borracha reaproveitada.

Luminárias feitas com diversos materiais, como carretéis de linha, com com papel reciclado e até utilização de luz de velas em alguns ambientes - tanto no tocante ao material quanto à economia de energia, dois grandes acertos.

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As luminárias feitas com carretéis de linha estavam presentes no ambiente projetado por Fabiana Castro e Juliane Duarte.

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Painéis artísticos feitos com sobras de papel jornal, produzidos por comunidades carentes - além do aspecto ecológico, a lembrança da inclusão social urgente de enormes parcelas da população.

O belo painel destacado no "Escada + Adega", projeto de Ana Lúcia de Souza: lembrança da inclusão social.

Têxteis feitos com fibra de bambu e uso de tecidos de baixo impacto ambiental, como a juta - têm apelo estético rústico, sem deixar de lado toques de sofisticação nos espaços.

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No "Quarto do Casal", de Renata Nahar e Tatiana Lopes, tanto a colcha quanto a cortina foram produzidas com tecido feito de fibra de bambu.

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Revestimento e telas para quadros feitos com tecido de velas de barcos - uma demonstração de que diversos materiais de excelente qualidade que podem ser reaproveitados em diversas formas, ao invés de serem simplesmente descartados. O tecido também foi re-aproveitado para criar o revestimento de uma cadeira no ambiente "Varanda do Velejador".

Na "Varanda do Velejador", projetada pela dupla Susana Mello e Samantha Raad em homenagem a Lars Grael, o revestimento do teto, as cadeiras e até os quadros utilizavam tecido de tela de barco.

Revestimentos feitos de placas metálicas, madeira plástica (feita a partir de garrafas PET) e de madeira Bio Sintética - as placas metálicas foram pouco utilizadas, mas deram seu recado. A madeira plástica também compareceu em vários ambientes, mas nos chamou a atenção particularmente a madeira Bio Sintética : feita a partir de diversos resíduos plásticos industriais adicionados de fibras, tem um aspecto bem interessante e pode se tornar uma grande aliada nos interiores que realmente se orientarem pelo respeito à natureza.

madeira Bio Sintética

Produto da empresa mineira CWT Design, a madeira Bio Sintética faz belos decks e revestimentos de parede e piso, além de cachepôs e mobiliário. Com durabilidade estimada de 80 a 100 anos, é um produto ecológico e que promete.

Uso de sinteco e tintas com baixo nível de solventes - respeito às pessoas e ao meio ambiente, visto que são materiais menos poluidores, durante sua produção nas fábricas.
Papel reciclado como revestimento de parede - ainda pouco utilizado pela pouca durabilidade. Mas um grande sinal para as grandes empresas do ramo sobre o que deve ser pesquisado neste setor.

Cremos que um maior esclarecimento ao público visitante dos porquês dessas escolhas de peças e materiais, suas diferenças em relação aos demais disponíveis no mercado e suas vantagens ecológicas comparativas seria muito indicado, pois muita gente ainda estava mais preocupada com o belo e com o viável economicamente, do que com o que seria ecologicamente aceitável.

Como tendências principais vimos o grande uso das fibras e palhas, que brilharam com toda a sua força em muitos ambientes, sendo intensamente utilizadas em móveis e em revestimentos. As "madeiras ecológicas" - vindas de fazendas de manejo florestal, de reflorestamento, madeiras de demolição, o MDF (chamado de "a madeira do futuro", por ser feito com resina e fibras de madeira de reflorestamento), a "madeira plástica" e até madeira descupinizada com óleo queimado - em diversos pisos, paredes e no mobiliário dos espaços, também foi uma tônica da mostra. Em grande parte dos ambientes havia ao menos um objeto de madeira coletada na mata, um revestimento feito com palha, fibra ou madeira plástica, ou um móvel em madeira de demolição ou de manejo sustentável. É a onda do estilo natural com muita força nos interiores, mas criado com o olhar voltado para a sustentabilidade.

(*) Maria Alice Miller
Designer de interiores, moradora do Rio de Janeiro e cidadã do mundo
: assim Maria Alice Miller se apresenta em seu visitadíssimo blog - Casa com Design . É sempre, e sempre será, um prazer contar com ela como nossa convidada e, quiçá, nossa colunista
www.m4interiores.com.br/blog


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