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Aniversário com charme, memória e renovação

por Tatiana Fingerhut & Ana Gabriela da Silva Pereira (*)

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Antes - A rua Oscar Freire, um dos espaços mais chique de São Paulo, foi reformada para retirar a fiação elétrica das calçadas

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Depois - A reforma na Oscar Freire, melhorou a visibilidade das lojas

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A rua Avanhadava, no Centro de São Paulo, depois da reforma do piso, com ampliação da calçada

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Vista aérea da rua Avanhadava

Memória

No calendário paulistano dia 25 de janeiro é feriado: a maior cidade do país completa 453 anos. Durante as festividades a metrópole, que abriga mais de 10 milhões de habitantes, torna-se palco para shows, peças de teatro, festas e eventos. Um turbilhão de acontecimentos deixa a cidade mais agitada e alegre.


São Paulo, que passa por constantes mudanças e recebe visitantes do mundo todo, também ganha cara nova em alguns locais. No último dia 20 as obras que fazem parte do Programa Municipal de Intervenção em Ruas Comerciais foram entregues. Desde 2003 mais de 18 milhões de reais foram destinados para repaginar ruas como a Oscar Freire nos Jardins e Avanhandava no Centro.


As obras de urbanização fizeram com que estes locais que abrigam lojas e restaurantes tradicionais ganhassem um ar aconchegante e moderno. As calçadas foram alargadas e a fiação passou a ser subterrânea. Os 100 postes que foram retirados cederam espaço aos 78 Ipês roxos, brancos e amarelos que anunciam aos paulistanos mais vida na capital.


São Paulo é uma megalópole que passa por mudanças constantes e diárias. Todos os dias a capital paulistana ganha novos habitantes, novas obras e conseqüentemente mais carros. O desenvolvimento modifica a cidade, assim como sua história urbana. Felizmente nos últimos anos houve uma preocupação maior com os patrimônios arquitetônicos existentes na cidade. A manutenção e restauração de locais como a Estação da Luz, Teatro Municipal, entre outros prédios públicos mostram que há uma consciência social por parte de alguns. Além disso, mantêm vivos grandes nomes da arquitetura como Ramos de Azevedo e Oscar Niemeyer.


Veja também
Memória - A origem da cidade de São Paulo
Arquitetura - Os estilos dos arquitetos marcam época


FOTOS:
Rua Avanhadava - Luiz Guadagnoli/SECOM
R. Oscar Freire - Divulgação/SECOM

A origem da cidade de São Paulo

A colonização de São Paulo começou em 1532 quando Martim Afonso de Souza fundou a povoação que iria transformar-se na Vila de São Vicente, uma das mais antigas do Brasil. Do ponto de vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita: situava-se numa colina alta e plana, que facilitava a defesa contra ataques de índios hostis. Nesse lugar, fundaram um colégio em 25 de janeiro de 1554, ao redor do qual se iniciou a construção das primeiras casas de taipa, que dariam origem ao povoado de São Paulo de Piratininga. Em 1560, o povoado ganhou foros de vila.

Em 1711 a vila foi elevada à categoria de cidade, porém, o próprio êxito do empreendimento bandeirante fez que a Coroa desmembrasse a capitania, para ter controle exclusivo sobre a região das Minas. A grande virada da economia paulista só aconteceria na passagem do século XVIII para o XIX, quando as plantações de café começaram a substituir as de cana-de-açúcar e a se preparar para ocupar o primeiro plano na economia nacional.

A expansão da cultura do café exigiu a multiplicação das estradas de ferro, iniciando-se então (1860-1861) em Santos e São Paulo os trabalhos da construção da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a São Paulo Railway, responsável pelo primeiro trem a ligar as duas cidades. Projetada e construída pelos engenheiros britânicos James Brunlees e Daniel Makinson Fox a estrada de ferro possibilitou um grande crescimento da província que passou por uma verdadeira revolução urbanística, resultado da necessidade de transformar uma cidade acanhada, pouco mais que um entreposto comercial, em capital da nova elite econômica que se impunha.

Em meados de 1860, a cidade de São Paulo já era bem diferente da antiga cidade colonial. Os primeiros lampiões de rua queimavam óleo de mamona ou de baleia e a cidade já contava com um parque público, o Jardim da Luz, que passaria por extensas reformas no final do século. Nesse período, à medida que a cidade se expandia em todas as direções, consolidava-se também um núcleo urbano moderno. Cresceram os bairros que abrigavam a elite e bairros populares além de edifícios públicos como a assembléia, câmara, fórum, escolas, quartéis, cadeias e abrigos para crianças desamparadas.

Mais próspero do que nunca, e agora um Estado de verdade dentro da Federação, São Paulo via surgir a cada dia uma novidade diferente: a eletricidade; os primeiros carros (o primeiro de todos pertenceu ao pai de Santos Dumont, em 1891); cresciam as linhas de bondes elétricos; construía-se na capital grandes obras urbanas, entre elas, o Viaduto do Chá e a Avenida Paulista. O que levam São Paulo a perder as características de província e construir uma paisagem urbana que passou a abrigar a economia mais dinâmica do país.

Arquitetura

Os estilos dos arquitetos marcam época

Desde que São Paulo começou sua expansão, a história da cidade funde-se com as histórias da arquitetura e de grandes nomes do segmento. Tantos anos se passaram e a capital paulista continua em desenvolvimento. Hoje diversos estilos podem ser encontrados em um mesmo ponto da cidade. A memória deste grande centro econômico do Brasil pode ser vista em todos os locais. Abaixo a história representada em três épocas distintas.

Ramos de Azevedo (1851-1928)

Francisco de Paula Ramos de Azevedo deixou o Brasil ainda jovem para estudar Engenharia Civil em Gand, na Bélgica. Quando recém formado retornou as origens e estabeleceu-se em Campinas onde executou seus primeiros projetos. No fim do século XIX foi convidado a projetar as residências de algumas famílias pertencentes à elite paulistana.

Foi nesta época que decidiu estabelecer na cidade de São Paulo um escritório técnico. Em pouco tempo Ramos de Azevedo transformou-se no principal influenciador da arquitetura local. Foi deste escritório que saíram os principais projetos públicos da cidade. O "Escritório Técnico Ramos de Azevedo" assina obras como: Pinacoteca do Estado, Teatro Municipal de São Paulo, Mercado Municipal de São Paulo , Palácio das Indústria, Palácio da Justiça de São PAulo, Palácio dos Correios, entre outras.

Oscar Niemeyer

O arquiteto brasileiro que completa 100 anos em dezembro é uma das maiores influências na arquitetura moderna internacional. Conhecido principalmente por planejar Brasília, Niemeyer também deixa registros na arquitetura paulistana. Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro em 1934, o jovem arquiteto inicia sua vida profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão.

Anos depois, em 1951, entrega seus primeiros trabalhos em São Paulo: O edifício COPAN localizado na Avenida Ipiranga no Centro da capital e o conjunto Ibirapuera que inclui o prédio da Bienal. Em 1989 entrega à metrópole paulista o Memorial da América Latina localizado no bairro da Barra Funda.

Ruy Ohtake

Arrojado e sempre à frente do seu tempo, Ruy Ohtake é um dos arquitetos mais ativos da atualidade. Diplomou-se em arquitetura em 1960, pela FAU-USP e, desde então, mantém o escritório Ruy Ohtake Arquitetura e Urbanismo, em São Paulo.

Desde a década de 70 Ohtake participa ativamente da transformação da metrópole com obras como o Parque Ecológico do Tietê, a embaixada brasileira em Tóquio, 1982 (leia PROJETO 127, novembro de 1989) e os hotéis Renaissance (1992). É autor de diversos projetos inovadores e curiosos como o Hotel Unique, localizado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio e que é objeto de admiração por possuir formas diferenciad

(*) Ana Gabriela da Silva Pereira é jornalista, e integra a equipe do Revestir.com nos trabalhos de assessoria de imprensa e conteúdo editorial, em conjunto com Tatiana Fingerhut.

Tatiana Fingerhut
(*) Tatiana Fingerhut é a mais nova aquisição da Equipe Revestir.com , ficando responsável por matérias especificas sobre mostras, exposições, eventos, agarrando todas as oportunidades que surgirem para ampliar os horizontes de nossa querida revista. Seu currículo já vem bem dosado: jornalista, especializada em pesquisas de tendências , produção de textos para material de apoio, desenvolvimento de material para pontos de venda, assessoria de imprensa e consultoria de comunicação, através de experiência em rádio, agências e na Fingerhut Organizações, onde é socia. Traz na veia a criatividade e a alma de guerreira - genéticamente explicada! Seja benvinda!
tatianafingerhut@hotmail.com


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