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edição 15 Dez/08

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Linhas Retas X Formas Orgânicas: Conversões e subversões

 por Ricardo Barddal (*)

Que a menor distância entre dois pontos é uma reta, isso ninguém discute. Mas também é consenso que o Universo é curvo.
Em um universo de mercado aonde, por muito tempo vem prevalecendo a tendência de linhas retas, as formas orgânicas aparecem muito mais como um antagonismo à primeira do que apenas um contraponto.
As peças de design, mais especificamente as de mobiliário, tem estado sob o julgo de uma verdadeira ditadura das linhas retas, que como linguagem já dá mostras de cansaço, dadas as limitações, não só dos materiais aplicados, mas principalmente pelo esgotamento da linguagem em si. O resultado deste esgotamento é evidente na semelhança das peças, independente da tipologia do móvel, de designers ou fabricantes. Estas semelhanças acabam refletidas nos trabalhos dos arquitetos e designers de interiores, que ficam limitados a estas linguagens.
As peças com linhas orgânicas entram nos cenários onde predominam as linhas retas, muito mais como contraponto do que como complemento, como se fosse possível entre as duas, apenas o convívio, mas nunca o diálogo.
Ultimamente e a partir deste princípio, tenho desenvolvido um trabalho que busca justamente promover o diálogo entre estas duas vertentes, onde o desafio é estabelecer uma convivência harmônica entre elas, em uma mesma peça. É um exercício divertido e excitante, quase uma prática de subversão, e os resultados tem sido surpreendentes. Dependendo do ângulo do qual se observa a peça, do que antes parecia uma reta, desvenda-se lentamente uma curva, e vice versa. É um aspecto lúdico que convida o olhar mais curioso a deslocar-se entorno da peça, e observar estas transformações. As peças tem pontos de transição entre curva e reta, em que uma pequena mudança de ângulo dá inicio a uma transformação, onde a reta ancora a curva e a curva "subverte" a reta. Neste aspecto, a inserção destas peças em ambientes onde predominam as linhas retas acontece de uma forma mais branda, suavizando os espaços, como um objeto de transição entre a dureza funcional das linhas retas e as curvas do corpo humano. Elas se encaixam e dialogam com as linhas retas, que nos dão o conforto psicológico, com sensação de solidez e segurança, através da referência no seu prumo e nível, aliado ao conforto e aconchego ao corpo que só uma curva pode dar.
A simplicidade do desenho é também uma conseqüência deste exercício, já que na medida em que o desenvolvimento da peça avança, os excessos são eliminados naturalmente. E hoje, mais do que nunca, "menos é mais", agora não apenas como uma orientação formal, mas como necessidade de um comportamento ambientalmente correto, já que menos consumo de materiais, menos gasto de energia e menos desperdício significam mais eficiência.
Se é que se pode falar em tendência, acredito que esta proposta é um campo fértil e cheio de possibilidades a ser explorado num futuro próximo, através da concepção de projetos arquitetônicos que priorizem e proporcionem mais fluidez em seus espaços, com mais interação entre as paredes e a vida que acontece entre elas.

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A geometria da Chaise Slow Down foi obtida através de interseções e subtrações entre planos e curvas de uma esfera. A medida em que o ângulo sob o qual a peça é observada muda, curvas vão se transformando em retas e vice-versa.

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Na namoradeira Xaveco a "subversão" da reta foi alcançada de uma maneira muito simples: Encurvando um plano.

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Na mesa de centro Dual reta e curva "conversam" nas transições entre o  nível do tampo e o prumo dos pés.

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De cima para baixo: Orca (ou colo de mãe), Slow Down , Abaporu , Mactra e  Apollo.

(Ricardo Barddal*) O designer Ricardo Barddal , 45, é paranaense de nascença e catarinense de alma. Nasceu em Curitiba, mas mora na mágica Florianópolis desde 1987, na paradisíaca praia do Campeche – nas terras onde pousou Sant Exupéry . Surfista desde os 12 anos, aos 14 começou a fabricar suas pranchas, e depois as dos amigos. Foi quando teve o primeiro contato com a fibra de vidro, paixão que perdura até hoje. Quando a brincadeira ficou séria, abandonou a faculdade de Arquitetura e passou a se dedicar exclusivamente à fábrica de pranchas.
Além de surfista e shaper ,  era também velejador, o que o fez se interessar também pelo design naval, cursando o Westlawn Institute of Marine Technology, em Stamford. CT EUA.
Embora não tenha completado a faculdade de arquitetura, a paixão por tudo que tem a ver com ela, como arte e design, nunca passaram. Foi quando resolveu unir todas as suas paixões e se enveredar pelo mundo maravilhoso das peças de mobiliário, usando toda a tecnologia da construção naval que o influenciou e continua influenciando até hoje na sua produção.

Mais sobre Ricardo Barddal:
"Conheci o Ricardo pessoalmente em um breve café. De conversa fácil, coração aberto e  palavras francas, ele surpreende pela simplicidade de atos e grandiosidade de sonhos.  É um homem que caminha a seu próprio passo, sem se perder na correria do mundo, sem se deixar levar pela maré traiçoeira dos modismos. Isso faz dele um ser único e  inteiro. E, ao meu ver, bem a frente do seu tempo."Arq. Joyce Diehl, coordenadora da Revestir.com.

Quer saber mais?
www.ricardobarddaldesign.blogspot.com/

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