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Curiosamente, os 10 anos que a revista on-line
Revestir completa agora no final de 2009, coincide com meus 10 anos de formação em Design de Interiores. Decidi então
fazer uma pequena memória do que vimos nesta última década em termos de revestimentos, que se eram em maior parte cerâmicos, hoje em dia já não se pode dizer o mesmo.
O fim da década de noventa e o início do novo século viu chegar os novos porcelanatos: uma massa cerâmica especial, com queima diferente da cerâmica comum,
espessura menor, alta resistência e baixa absorção. A novidade foi aplicada em todos os lugares, de espaços comerciais a residências, mas ainda apresentava alguns
desafios para a indústria dominar: algumas cores não eram sólidas, pois apresentavam "pontinhos" sobre elas. Os porcelanatos polidos riscavam com facilidade e não existia o
branco absoluto, e o que se chamava de "branco", era um tom de bege bem claro. Com o tempo e o avanço da tecnologia, estes desafios foram sendo ultrapassados um a um, e hoje temos
porcelanatos de todas as cores, formatos e tamanhos, rústicos, polidos e acetinados (uma nova categoria que surgiu da necessidade de se encontrar uma superfície
agradável ao toque, mas sem brilho), que ainda riscam, mas com resistência um tanto maior. Tanto que podem inclusive ser utilizados em concessionárias de veículos - e,
curiosamente, é onde mais encontramos este tipo de revestimento atualmente. A questão dos formatos também evoluiu muito: dos tradicionais 30 x 30 centímetros para pisos, 15 x 15 ou 20 x
20 centímetros para paredes, além de algumas peças retangulares, a indústria foi conquistando palmo a palmo o tamanho das peças. Vimos os grandes formatos começarem
em 40 x 40 centímetros irem aumentando até fantásticos 120 x 120 centímetros. Mais de um metro de lado numa só peça cerâmica! Claro que a colocação de tais peças se
tornou um desafio para profissionais e empreiteiros, mas, aos poucos, até esta tendência reverteu, e hoje em dia 50 x 50 ou 60 x 60 centímetros são formatos de maior dimensão, majoritariamente utilizados.
Saindo um pouco da cerâmica e lembrando de outros materiais, esta primeira década do novo século também marcou a conquista dos laminados como piso de excelência
para áreas secas. Em fins dos anos 90, a técnica da pátina e do clareamento de tábuas corridas e tacos de madeira era muito utilizada mas, aos poucos, também com avanço da
tecnologia no segmento dos laminados - formados por uma camada de papel decorativo com aspecto de madeira e a base em MDF - tons mais claros de revestimentos
amadeirados foram surgindo, e o público aplaudiu a possibilidade de utilizar a novidade sobre seu antigo piso de tacos, sem necessidade de quebra-quebra. Os carpetes de
madeira - feitos com uma lâmina de madeira e base em compensado, que também é madeira - foram aos poucos sendo postos de lado pela necessidade de se utilizar a
menor quantidade possível de madeira de verdade em todas as etapas de uma obra. E os pisos de salas e quartos foram os primeiros a aderir aos laminados, que também subiram
pelas paredes e tetos. Hoje em dia, a fidelidade do material ao visual da madeira é tão grande, que a concorrência se concentra em quem traz a textura mais próxima do material natural ao laminado.
A preocupação ecológica foi um dos motores propulsores da busca por novos materiais sustentáveis, isto é, ecologicamente corretos, economicamente viáveis, socialmente justos e culturalmente aceitos
. As pastilhas de coco - feitas com casca de coco antes rejeitada - foi um dos primeiros revestimentos ecológicos a surgirem, seguidas de outras tantas igualmente aproveitadas de
vegetais. Temos atualmente revestimentos de bambú, bananeira, macieira, palmito pupunha, castanha e certamente muitos outros ainda serão descobertos, utilizados e aprimorados dentro do pensamento do que é
sustentável e decididamente bonito. E por falar em ecologia, o reaproveitamento de resíduos tóxicos ou perigosos, um dos grandes desafios no mundo
atual, serviu de base para a criação de um material que se ainda não se tornou plenamente utilizado, tem toda a possibilidade de sê-lo: trata-se da madeira plástica, obtida
através da reciclagem de - pasmem - plástico. Pisos, decks e pergolados agora podem ser feitos inteiramente neste material, que aceita tingimento e carrega diversos
benefícios ecológicos desde a sua fabricação até a utilização final. Apesar de já estar presente no mercado brasileiro há algum tempo, ainda não é utilizado em sua plenitude.
Mas a grande valorização de uma estética urbana ligada a um viés natural - quase um contra-senso - abriu espaço
para um outro tipo de revestimento que teve um crescimento enorme em sua utilização na última década: os cimentícios. De descontraídas bordas de piscinas a
sofisticadíssimos livings, seja em casas de praia, seja em residências citadinas, estes materiais foram aprovados por consumidores que pedem por espaços elegantes mas com
um toque rústico, obtidos pela aparência dos cimentícios. Da entrada triunfal como item natural-sofisticado em pisos de residências de praia, hoje eles ocupam lugares de destaque
em paredes, possuindo inclusive acabamentos polidos, opções de texturas como tramas de couro e pedras rústicas de alto valor como mármores importados, e ainda moldagens em desenhos incríveis.
Mas, apesar das macro-tendências de revestimentos frios e com aparência natural, não se pode esquecer dos detalhes, e neste nicho as pastilhas são o material a ser destacado.
Das tradicionais e coloridas pastilhas de vidro ou cerâmicas, em tamanho 2 x 2 até 5 x 5 centímetros, chegamos a receber no mercado pastilhas em vidro com até 10 x 10
centímetros de lado. A transparência total foi questionada por muitas coleções que valorizaram o vidro fosco, com aspecto marmorizado e imitando metais. Aliás, os tons
metálicos também apareceram nas pastilhas cerâmicas, dando um renovação decisiva a estes revestimentos antes considerados apenas para fachadas de edifícios.
Não se pode esquecer também das enormes possibilidades geradas pelo advento da impressão digital sobre diversos materiais, incluindo a cerâmica. Grandes indústrias
cerâmicas puderam passar a criar revestimentos quase sob medida, peças com estampas belíssimas a serem utilizadas como painéis, e ainda a imitação fiel de diversos materiais:
da madeira ao vidro, passando por tecidos e metais oxidados ou naturais, com vários acabamentos. Outra grande novidade também foram os acessórios - filetes e "Inserts
" - que agora são oferecidos em inúmeros materiais, da pedra ao vidro, passando pelo alumínio, pelo cristal e até mesmo por detalhes em fibras vegetais.
Certamente ainda há muito o que dizer sobre a evolução dos revestimentos nesta década e certamente também posso ter me esquecido de tendências fortes que apareceram e desapareceram mais rapidamente, como
acontece em qualquer segmento dentro de dez anos. Mas acredito que lhes apresentei um bom panorama do que assisti de perto na última década e tenho absoluta convicção
de que ainda teremos muitas novidades impressionantes a ver de perto - e cada vez de forma mais rápida - nas lojas, home-centers e também aqui, na Revestir. |
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