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Arquitetura com arte
A ousada parceria da Smart  Arquitetura com  arte de Heloisa Crocco.
Por Joyce Diehl

 

Arte e arquitetura, juntas. Parece sonho dos tempos da faculdade onde, ainda longes do mercado de trabalho, sonhávamos com um mundo perfeito, com moradias melhores, com integração de nossas casas com a natureza, com a força da arte dentro de nós, e com o bom e "velho" design bem pensado.

Deve ter sido por isso que me encantei a olhos vistos – e até certa emoção, misturada aos olhos de surpresa  – com o novo projeto do intitulado "ateliê" Smart , de Porto Alegre, RS, que fez  - faz! - jus ao nome. Um projeto com a participação da designer  - melhor dizer artista? - Heloisa Crocco. A primeira curiosidade, já que conheço Heloisa de longa data -  foi me perguntar: quem são esses caras? Que tamanha coragem é esse, de fugir aos padrões do mercado que virou a arquitetura?

Tudo explicado quando se entra no site. Está lá: "ARQUITETURA PARA A VIDA CONTEMPORÂNEA". Assim, mesmo, com letras garrafais, para ninguém duvidar.  E continua: "Arquitetura além do traço é a gentileza no olhar. A cidade é a soma de muitas vontades e da nossa responsabilidade com a Porto Alegre de todos nós. Mais que arquitetos, cidadãos. Mais que edifícios, gentilezas. Arquitetura que olhe para o futuro e respeite nosso passado. Arquitetura para a cidade. O nosso legado para as próximas gerações." Acho que nem se precisa explicar. Está tudo lá. Arquitetos que falam na arquitetura como gentileza, nos arquitetos como cidadãos – não robôs, nem máquinas de fazer projetos, nem de vender obras.  Falam de gentileza no olhar. E da responsabilidade de criar curas – ao invés de feridas – em meio  ao gelo que se tornou a arquitetura. "Refinamos nosso olhar e nossa escuta".

E vão além: "Na Smart, arquitetura sempre foi vista como um caminho trilhado com seriedade, responsabilidade, devoção e fé no seu papel qualificador da sociedade, com respeito à cidade e à imagem que buscamos deixar como legado para as próximas gerações. Desde a fundação, em 2009, temos buscado constantemente reinventar e redescobrir nosso próprio modelo e prática, seja buscando ativamente espaço para maior valorização e significado da arquitetura contemporânea, seja reforçando nossa responsabilidade como interventores urbanos".

Mas, voltemos os olhos, de novo, ao novo, à obra – de arte? – em questão. Lembrando a nossa icônica arquitetura moderna brasileira, o projeto arquitetônico tem como base o concreto armado e as tão sonhadas esquadrias de piso ao teto ( quem não sonha com isso?). Melhor ainda se a vista for magnífica, uma praça totalmente arborizada  – como tantas ainda que há naquele Porto Alegre. Os arquitetos falam em "fundir a arte com a arquitetura " , sonho antigo. Deles e de todos que já passaram pelas pranchetas encardidas das velhas escolas de arquitetura. E prometem ser um projeto para "daqui para frente", daqui para sempre. Um dos sonhos concretizados leva o nome de Iguaçu. E não é que até no nome tem arte, tem poesia?

Transformar – ou melhor seria dizer concretizar?  -  o  nosso jeito de morar ( e de projetar, premissa), fazer da arquitetura uma arte vida e para ser bem vivida, porque não?  Fugir da mesmice proposta por tantos e tantos arranha-céus que só fazem fazer jus ao nome?

"A nossa ideia é criar arquitetura para a vida contemporânea". Há  liberdade de criação no projeto liderado por Márcio Carvalho e Ricardo Russel, da Smart.  Há a ousadia da boa arquitetura, contra um mercado que já caiu no vício da mesmice. Descrito como jovem e inovador pela imprensa especializada, o ateliê  diz a que veio em todos os seus projetos – basta ver o portfólio de obras.

A parceria com a não menos sonhadora Heloisa Crocco  só vem acrescentar ao que já fora estabelecido: encantar . Quebrar paradigmas traçados a tanto concreto , dureza - e erros.  Quem mais ousaria se embrenhar na mata amazônica para entender  e traduzir para a arte a vitalidade  das árvores, a energia da vida? Quem mais ousaria trazer essa boa energia para a arte, e agora para fundir-se com a boa arquitetura, torná-la ainda melhor?

Heloisa assina a fachada. Painéis em madeira apimentam e dão luz ao já inovador projeto. "Era um sonho trabalhar com a Heloisa", revela Ricardo , co-fundador da empresa. Sonho realizado em projeto para a rua Iguaçú, no bairro Petrópolis, onde a designer -  e artista -  propôs uma série de intervenções que remontam ao seu estudo Topomorfose, conhecido por simular os anéis de crescimento dos troncos das árvores. No trabalho de Heloisa tem vida. No prédio chamado de Iguaçu, também.

Corajosa como nunca, Crocco saiu do micro e foi ao macro, com a mesma segurança e expertise de sempre. Debruço-se sobre a estrutura para criar grandes painéis que funcionam como brises   - outro assunto esquecido na memória da boa arquitetura – e que dão o tom da fachada deste prédio, com certeza um marco de arquitetura na capital gaúcha. E eu arriscaria dizer: do Sul do país.

E como toda arte, vai além da estética fachada: quando a luz incide sobre os brises, cria efeitos diferentes no interior dos apartamentos ganha, formando  um belo efeito ótico. "Eu já tinha trabalhado com  luz e sombra na moda. E me interessa muito essa questão de vazar o desenho, que dá uma leveza, uma poética no grafismo", explica Heloisa.

A parceria Smart + Crocco só fortalece a proposta original da Smart: criar gentilezas. Olhar o futuro, respeitando o passado. Ser quem somos, sem esquecer quem fomos. E disso, Heloisa entende como ninguém. Seu trabalho se baseia no profundo respeito e conhecimento da natureza – inclusive a humana. Unir a Smart  com Heloisa Crocco não foi mero acaso. Existe atração pelos "iguais". Existe paixão no que fazem. Existe a constante inquietação. Existe a procura do novo.  Existe a memória emocional, como nas árvores. " A gente queria retomar o protagonismo da arquitetura no mercado imobiliário", explica Márcio.

Não é de hoje que a Smart revoluciona o mercado. A  primeira empreitada  - ou peitada? - foi um prédio com apartamentos de 103 m² e apenas um dormitório. "Disseram que não iríamos vender nada", conta Márcio. Houve até fila de espera. Outra cartada, tinha cinco metragens diferentes( quem não lembra do Copan?) , com liberdade de personalização das planta pelos próprios moradores, provando a tese da dupla de arquitetos: "há espaço para um novo jeito de projetar". E eles provam que há..
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Sobre o Iguaçu
Além das plantas personalizáveis (são oito opções de 103 m² e seis de 207 m²), o Iguaçu, com 11 andares, possui alguns diferenciais, como as esquadrias, que vão do piso ao teto,  inclusive no maior pé direito, com 4 metros. Os outros apartamentos, com laje nervurada, ganham 23 cm a mais do que o padrão, totalizando 2.73 m.

No térreo, um lounge faz as vezes de salão de festas e propõe um espaço aberto, sem reservas, para confraternizações de vários moradores ao mesmo tempo. "Ali o convívio e o isolamento são possíveis – e num mesmo espaço", explica Márcio.
Ou seja: nem só de uma fachada arrojada vive a arquitetura da Smart. Criatividade e ousadia vêm juntas. E a certeza de que cada cliente, cada morador, tem lá sua forma de ver a vida. E de vivê-la intensamente – mesmo dentro de casa.
Joyce Diehl é arquiteta e editora de conteúdo da
www.revestir.com.br, onde também assina coluna e alimenta os posts diários do Blog da Revestir.com. http://revestir2008.blogspot.com.br

Ricardo Ruschel, Heloisa Crocco e Márcio Carvalho revisando o material impresso que confirma a frase "simplicidade é a última forma de sofisticação".  A dupla de arquitetos faz curadoria para projetos, além de criar para seus empreendimentos customizados

 
 
 

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