Entrar num restaurante para saborear uma boa comida é como entrar num confortável hotel e sentir que todo
conforto é um imenso prazer para a alma. Bons hotéis e restaurantes são raros hoje em dia. Imaginem isto tudo sem a parceira iluminação. Não tem batatinha que resista, nem um bom vinho que não
vença. É a luz chegando a onde você nem imaginava - a gula!!! Mas não seria a gula um dos pecados capitais!?? Entramos na área comercial onde o conforto é o principal elemento. E nada mais
justo do que a iluminação acompanhar esta solicitação do mercado. Pode até haver alguns loucos que se propõe a estourar luz na entrada ou na saída do elemento a iluminar. Mas na hora do prato
principal a luz entra em cena. Seja em velas, em luz rebatida, indireta, direta pontal, em cores, seja como for à luz entrar para ser parceira da boa alimentação.
Como chegar
Não consigo imaginar as entradas de acesso ao restaurante sem algumas colunas formadas com iluminação. Observe que em estudos, todo acesso ao restaurante, seja pela calçada seja pelo
estacionamento, poderão ter uma altura variando de muito baixa em 30 cm e alta acima de 12 metros proporcionalmente. A recomendações são para uma iluminância horizontal mínima de 10 lux, na
altura do chão. Deveremos explorar a entrada principal, melhor se houver entre o pátio e o restaurante uma marquise. Esta marquise deverá ter uma iluminação atrativa, complementando a
iluminação da fachada e da comunicação visual do empreendimento. Por baixo da marquise, alguns estudos recomendam uma iluminância de no mínimo 100 lux. É o contraste de luz influenciando até como
um convite a freqüentar o local. Nos halls de entrada, os usos de dimmers, prendem a atenção dos visitantes. Estes equipamentos de controle do fluxo luminoso deverão primeiramente
satisfazer a diferentes requisitos durante o dia e durante a noite. Antigamente realizávamos cenas com disjuntores, ou seja, com zero ou 100% da luz. Esta era a cena da época, antes dos
atuais dimmers. Hoje os salões deverão ser providos deste sistema flexível de iluminação, nossas famosas cenas de iluminação, de maneira que possam ser iluminados adequadamente quando usados
para diferentes tipos de ocupação - como encontros íntimos ou não, eventos (como exemplo: copa do mundo), etc. Note que a iluminância geral em um restaurante deverá ser relativamente alta
durante o dia. Porém, poderá ser mais reduzida durante a noite. Este estudo luminotécnico vem de encontro ao desejo do arquiteto juntamente com o do proprietário. O uso de lâmpadas
fluorescentes tubulares ou compactas, ao longo do alcance da área útil (exemplo: sancas), poderão contribuir brandamente para a iluminância geral. Esta iluminação, no entanto, deverá ser
integrada por iluminação local nas mesas. A repartição em circuitos, e a chance de regular o fluxo luminoso poderão ser altamente convenientes; mas as luminárias e seus materiais auxiliares
escolhidos, neste caso, deverão estar sempre de acordo. Muitas vezes este sistema encarece o projeto de instalação, mas é hoje, peça fundamental num bom desenho de luz. Nos estudos
luminotécnicos a atmosfera desejada dependerá do tipo de restaurante. A rede de lanchonetes "Mc Donald" tem a luz em seu interior com temperatura de 4.000 Kelvin, já um fino restaurante
francês tem temperatura de cor bem mais baixa. Algumas centenas de lux poderão ser necessárias para se obter o efeito desejado, mas só em certos casos. Usamos pouco a cor na arquitetura da
iluminação. O uso de filtros coloridos pode realçar o que devemos iluminar. Incentivando o conforto no consumo do alimento. Enquanto que em outros casos mais simples, um nível médio de 100
lux poderá ser o suficiente, com um acréscimo de aproximadamente 300 lux sobre o balcão de recepção, caixa e pontos de serviços. Hotéis, comumente tem corredores relativamente longos nos
andares dos apartamentos. Estão localizados na parte interna do prédio e, normalmente, não possuem luz natural. São indicados, neste caso, os usos de lâmpadas fluorescentes, que
proporcionam uma economia substancial no custo operacional, a iluminância durante o dia deve ser de no mínimo 150 lux, enquanto que durante a noite, metade deste nível é satisfatória. O uso de
leds é hoje o mais moderno sistema de iluminação e fortemente deverá ser usado num sistema de iluminação de sinalização durante a noite. Podemos até utilizar em iluminação de emergência,
mas o sistema ideal será aquele que o usuário assim desejar. O mais importante é que são fundamentais nos corredores e escadas, especialmente para as saídas de pânico. Há uma tendência em se
projetar apartamentos somente como quartos com camas e banheiro incorporado. A iluminação vira decoração e poderá, eventualmente, ser combinada com a mobília, e em alguns casos sendo do tipo
comercial. Obrigatoriamente a iluminação geral deverá obedecer à forma de não incomodar o transeunte. Veja que uma lâmpada para leitura na mesa e uma lâmpada na cabeceira da cama são
suficientes para o usuário. Esta ultima deverá proporcionar luz macia e suficiente para leitura, sem perturbar os outros eventuais ocupantes do quarto. Não é recomendável uso de
luminária ao lado da cama. Isso porque as luminárias sempre ocupam espaço precioso e são facilmente afetadas. Abajures, não arandelas, contra a parede deverão ser fixados a uma altura que permita
a uma pessoa ficar sentada na cama. Para o espelho, como para um provador de roupa, o conforto é fundamental, rugas e defeitos de face deverão ser evitados com o uso de um sistema de lâmpada
fluorescente atrás de um difusor opaco, por cima ou ao lado do próprio espelho, é sempre uma boa solução. Nos banheiros - uma iluminação geral é geralmente combinada com a iluminação do
espelho, usando-se tanto lâmpadas incandescentes halogenas como fluorescentes tubulares ou compactas.
(*) Ricardo Lopes
é Lighting Designer. Sócio da Ricmon Iluminação, é também Professor e Coordenador do curso de Pós-Graduação em Projetos de Iluminação da Universidade Estácio de Sá. Tem outros artigos publicados na
Revestir.com
para nossa sorte!
Imagens por ordem, acrescentadas pela Equipe Revestir.com: Restaurante Nazca, Bogotá, Peru. Projeto de Giuancarlo Mazzanti e Paula Galarza. Vista geral.
Bar Escape. Proposta luminotécnica de Gilberto Franco e Carlos Fortes. Vista geral. O sistema predominante é o RGB, programado dentro de uma paleta restrita e com mudanças sutis
das cores. Hotel Saint Martin's Lane, Londres. Projeto de Philippe Starck. Vista do restaurante. Uso de sancas e iluminação diferenciada sobre as mesas. Hotel Fasano
, Rio de Janeiro, RJ . Projeto de Philippe Starck. Lobby, com peças de Sergio Rodrigues.Iluminação nas cortinas, a partir dos negativos do teto. Hotel Fasano
, Rio de Janeiro, RJ . Projeto de Philippe Starck. Hall dos pavimentos. Iluminação de piso com principal. Hotel Fasano, Rio de Janeiro, RJ . Projeto de Philippe Starck.
Detalhe de quarto. Iluminação discreta e funcional. Hotel Fasano, Rio de Janeiro, RJ . Projeto de Philippe Starck. Acesso aos banheiros. O espelho duplica a iluminação embutida
no piso. Hotel Fasano, Rio de Janeiro, RJ . Projeto de Philippe Starck. Bancada do banheiro. Iluminação duiscreta, por trás do espelho. Hotel Saint Martin's Lane
, Londres. Projeto de Philippe Starck. Vista do Lobby e corredores dos apartamentos.Uso de feixes de luz no piso e tetos.
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