No inicio da década de 90, percebemos que a grande tendência de comportamento chamava-se "ENCASULAMENTO". Principalmente nos grandes
centros urbanos as pessoas buscaram sua proteção dentro de casa. Nunca se viu tanta oferta de "Disk qualquer coisa". As geladeiras passaram a ficar lotadas de telefones. Locadoras de vídeos se espalharam por todo o
país. O maior crescimento de faturamento da franquia "Blockbuster"( franchising de vídeos e DVD ). E é claro que nada surge do nada. A vida moderna, a independência da mulher, os problemas econômicos, desemprego,
foram fatores que estimularam esta mudança de comportamento. Nunca se vendeu tanto eletrodomésticos, e nunca se falou tanto em "HOME THEATER". Reunir a família, os amigos, valorizar a casa passou a ser prioridade.
Em 1994, o discurso na arquitetura eram os "Family Rooms". Integrar ambientes como cozinhas, salas de almoço e salas de estar passou a ser uma preocupação dos projetos.
Em 2000, a Casa Cor de São Paulo,
reforçou a tendência dos "LOFTS" uma realidade do nova-iorquino - tudo integrado, inclusive o quarto. Concluímos: Ambientes integrados, melhor convivência.
Hoje isto já é realidade.
Outro movimento
muito ligado a este colapso de viver bem, são os movimentos ecológicos. Nunca se falou tanto em valorizar, preservar, cultivar, interagir, com a natureza. Hoje ela fala mais alto.
Portanto aquilo que eu
acreditava como minha estrada de trabalho se confirmou com todos os eventos que eu visitei : Casa Cor 2002 – São Paulo / Mostra Artefato / Exposição Vintage
– Casa Vogue / Têxtil Home – Expocenter Norte – SP.
As Cores : Predominância dos verdes (kiwi, cítrico, musgo , água). O branco continua em alta. As formas : com o Salão do Móvel de Milão, a forma orgânica criou força. Os Materiais
: a madeira escura, a transparência dos vidros e acrílicos nos faz viajar para a década de 60. O estilo : A palavra de ordem é conviver com harmonia. O rústico x contemporâneo.
O moderno x clássico. As culturas em ritmo de globalização. Por exemplo: o oriente convivendo muito bem com o colonial. O minimalista com alguns detalhes da China. Enfim, a decoração está nos mostrando que o
importante é a identificação pessoal com a casa " A minha cara". A integração da natureza aparece constantemente nos detalhes. Seja nas cores, em materiais como junco, ratan, palha, bambu.
A idéia do artesanal muito forte. Outro ponto marcante da década de 60 foram as pastilhas. E da década de 70 o couro volta a fazer parte da decoração.
Esta leitura das duas décadas 60/70, encontramos nas
exposições de decoração e nos desfiles de Paris/Milão/NY, de outono-inverno 2002/2003, (será o nosso 2003).
É, o que foi marcante em uma época sempre vai ser lembrado - mesmo que com outras
interpretações.
Ruth Fingerhut, designer Fingerhut Design |