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Mi Buenos Aires querido"

Na letra do tango, muitas verdades: a cidade mais européia das Américas dá lições de arquitetura e de bem viver

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Férias são para aprender coisas. Eu as uso para isso. De novos pratos a novos lugares. Ou novos olhares sobre uma mesma coisa.
Nesta, tive a sorte de reviver Buenos Aires. E lá, tanta coisa a aprender! Minha visão de turista mais arriscada, caminhando muito, mas ainda dentro de um centro reconhecido. Da periferia e do que o pensam os seus moradores, nada sei.

Aula de urbanismo
A forma como  a cidade convive bem com seu entorno é uma delas. Muito verde, sempre. Belas avenidas bem estruturadas, muitas praças, e sob elas, inteligentes estacionamentos. Fico a pensar porque não fazemos sempre isso. Os carros lá embaixo, bem protegidos e sem disputar espaço com as pessoas. Parece óbvio, mas não o temos. Aula de urbanismo do mais puro.
Já do alto, antes mesmo de chegar, o contraste: os orgânicos bairros, ladeando pequenos lagos, contrastando com a cidade milimetricamente desenhada. Nela, um ponto inicial , bem marcado por um obelisco. Parte dali um traçado perpendicular cortado poeticamente por duas diagonais. Cria-se , assim, um ponto de referência, um marco, uma perspectiva das  melhores. Avista-se  de longe tal magnitude.
Ah, e  a forma como marcam as esquinas com prédios bem desenhados, sempre muito detalhados ao estilo europeu. Não formam ângulos fechados. Caminhar por eles é sentir-se inserido. Como se abrissem caminho para que passemos. E são tantas as surpresas no caminho, os cafés com suas charmosas mesas nas calçadas largas, os calçadões convidativos.

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Em sentido horário, vista de Buenos Aires – periferia com traçado orgânico e tradicional traçado da cidade; o obelisco, as áreas verdes dos calçadões, os estacionamentos no subsolo, as esquinas bem marcadas pela arquitetura.

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A arquitetura cheia de detalhes e de tipos, e a forma como elas convivem deixam transparecer  todo o cuidado, ontem e hoje.

Vivendo o verde
Em se falando de espaço público, como usam! Não são apenas de contemplação ou de passagem, como estamos acostumados  a ver. Qualquer praça – e são muitas – vira sala de estar, sala de bem viver. Ou a levar seus cachorros para brincar, ou as crianças – poucas,. Fazem do espaço publico sua casa. Levam cadeiras para a leitura do jornal. Levam a boa conversa. O bebe para passear. Tomar sol no calor de 40oC que fez por lá. Vira praia, vira parque, vira o quintal de casa. Ou simplesmente sentar á sombra das velhas árvores e simplesmente contemplar, tomar um ar.
Mas basta caminhar pelas ruas e ver o verde ali, a se contemplar.

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Palermo e seus parques, os charmosos cafés da Recoleta  com suas mesas ao ar livre, o  Porto Madero com seu passeio, seus estares ao ar livre, seus cafés.

Convivendo com as cores
Outro contraste marcante é o das cores da cidade, clássica visão entre beges, brancos e cinzas, e das cores em lojas , hotéis ou marcando as regiões do porto, como  o Camiñito, que tem uma bela história para contar.
Nele, espelho de um povo. As casas, feitas de restos de barcos e tintas, dão um show  a parte , embalado pelo som das tangerias. Ali, toda a alegria de viver, apesar dos pesares. Ontem, moradia de um bravo povo. Hoje, passeio de turistas e moradia da arte.

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A cor invade a cidade de forma pontual, na combinação inspiradora das casas e bares do Camiñito aos halls dos hotéis boutique, sem esquecer os estares dos cafés mais modernos, a arte pelas praças, as "mariposas" nas tantas flores dos jardins.

Ah, e os cafés...
São tantos, tão simples e tão singelos, ao mesmo tempo que tão convidativos e  elegantes. Isso, elegantes, essa seria a melhor palavra para descrevê-los, cafés  e pessoas. Muitos se foram, ficando os clássicos, os que tem o que contar. Os que sabem bem receber. Não há como ir a Buenos Aires e  não querer se sentar numa das confortáveis mesas do Caffe Tortoni. Uma viagem ao glamour de anos atrás. Um glamour que a cidade não perde, nem perderá...

Imperdíveis:

  • Café Vienès, gelado, no Gran Cafe Tortoni; (fundado em 1858);Sorbet de cacao na sorveteria Freddo, para quem não tolera lactose e/ou ama chocolate. O mais puro sabor;
  • O doce de leite da Havanna (dos alfajores, nem preciso falar!);
    Conhecer o Jardim Botânico  ( com jardins de vários estilos) e o Jardim Japonês, no bairro Palermo. E não se assiste com a quantidade  de gatos...
  • Sentar em qualquer café na calçada e pedir um café com medialunas. Só assim a gente se sente um verdadeiro porteño.
  • Andar muito, vendo os prédios, as praças, os detalhes de tudo. Existem pequenas surpresas em cada esquina.
  • Passe para ver as exposições no Centro Cultural da Recoleta. Muitas delícias a ver em seus jardins internos. Sente no café e admire o chafariz.
  • Depois tome um lanche ou jante no Design Center, sentado em uma das grandes áreas de acomodação com sofás ao ar livre, sob charmosos pergolados;
  • Admire a arquitetura e as abóbadas pintadas "a la Sistina" da Galeria Pacífico, na famosa ( já muito mais glamorosa) Calle Florida;
  • Visite o Barco Museu no Porto Madero. Dá asas à imaginação!
  • Não fique nos passeios de turista. Visite Palermo Chico, Palermo Hollywood, muita coisa para contar.
  • Não perca os domingos na Praça de Santelmo. Arte, gastronomia, tango de raíz e antiguidades entre casarões e ruelas;
  • E se tiver tempo e paciência, conte quantos gatos se pode ver no Cemitério da Recoleta e no Jardim Botânico em Palermo...
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Delícias da cidade: o bicentenário Gran Cafe Tortoni, os sorvetes da Freddo, o doce de leite da havanna, o tradicional "cafe con medialunas"; a arte na Recoleta, na arquitetura da Galeria Pacífico e suas abóbadas pintadas; o descanso nos cafés do Design Center, nos bancos do Jardim Botânico, no passeio pelo Jardim Japonês.

joyce & lucas

    Uma viagem só é completa se feita em boa companhia. Companhia nas caminhadas, nas conversas, no descobrir de detalhes. Essa é, sim, uma matéria feita a quatro mãos e dois corações:
    Joyce Diehl e Lucas Diehl Peres
    .


Joyce Diehl(*) A catarinense Joyce Diehl formou-se em arquitetura no ano de 1986 pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Desde então sua carreira passou a ser super movimentada. Logo que ingressou no mercado, especializou-se em detalhamento, e conseqüentemente especificação de obras residenciais, comerciais e industriais. Entrou para o mundo dos revestimentos através da Cerâmica Portobello, trabalhando como arquiteta no primeiro showroom da empresa, em Florianópolis,capital catarinense, e depois como promotora de vendas e especificadora da empresa em toda Santa Catarina e Paraná. Tornou-se pioneira nos serviços de atendimento a clientes (showroom e externo) e especificação de produtos.
Qualquer informação adicional pode ser pedida através do e-mail
info@revestir.com.br, ou pelo telefone, com a Arquiteta Joyce Diehl .
Outros textos de Joyce Diehl no
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Revista Conceito Mosarte 2007

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