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Oásis
Fazer da casa um lar é mais fácil do que se pensa Por Joyce Diehl (*) |
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Nesse tempos em se faz da casa "oásis", por vezes gradeado de segurança – a segurança pelo medo e a segurança que conforta - a
pergunta que fica é:
O que faz você feliz? Mon Liu, colunista aqui na Revestir.com já nos fez essa mesma pergunta em muitas matérias, sempre tão cheias de ideias. Felicidade. Não sabe como
alcançar? Então, leia duas matérias: Segredos da Felicidade
e
Em busca da Felicidade.
Mas, o que realmente nos faz feliz, pelo menos em relação à nossa casa? Não, não é muito dinheiro gasto na
decoração. Não, não é uma casa enorme e luxuosa. Para a designer holandesa Lidewij Edelkoort , hoje com seus 61 anos , 20 deles estudando o comportamento humano - e no mundo todo, diga-se de passagem - e
reconhecendo as mudanças antes mesmo que elas aconteçam, antes que os nosso desejos batam à porta dos dias - basta prestar atenção ao mundo. Não, Lidewij não dá o prato pronto, a cor do ano, as tendências
anotadas, o que se deve fazer. Ela dá os ingredientes, conceitos, ideias observadas e a serem observadas, e que se propõem a lançar modas. Dá a vara de pescar, dá até a isca, mas não o peixe. Ou o peixe seríamos todos
nós? |
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Já falei aqui - e bato nessa tecla até que se solte, ou a ideia "entre" : não sou escrava de tendências ( veja no texto
Tenho Asas) . Não
faço bolos com receitas corretas, medidas perfeitas, não sem acrescentar meu tempero, meu toque pessoal. Não nascem assim os grandes gourmets? E saindo do bolo e falando da casa: o tempero de quem vai morar lá. Pontos de
partida, sim, mas os caminhos e toda a paisagem melhor deixar por conta do viajante. E quais as teclas em que a "mística das tendências", como é chamada Lidewij, bate?
Luz.
Não exagerada, mas suficiente. Já é pouca, dependendo dos casos. Já nos isolamos tanto do mundo lá fora, como quem não quer ver, mas porque não deixar a luz entrar? Ela fala de cortinas leves, ela fala de cortinas amigas, que deixam a vida entrar.
Eu concordo e vou além: falo de cor. Acho que as cores, bem escolhidas, trazem uma "luz" especial. Claras aqui e acolá, para iluminar, mas sem esquecer a alegria de tantas outras, nem que seja em objetos.
Conexão
: não, não está falando de ligar-se às redes sociais, nem ao mundo da WEB. Conexão com o mundo, sim, mas real, com as pessoas, conexões mais íntimas, coisas que, por vezes, esquecemos, por vezes até fugimos. Para que uma casa se
ela virar sinônimo de encarceramento, solitária? Não confunda: não é encher a casa de gente, todo dia e toda hora. Solidão faz bem, em pequenas doses, mas vá devagar. Valorize as conexões mais básicas, mais
intimas, dos amigos e familiares, dos animais de estimação. |
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E conexão com o mundo, sim, mas de outra forma. Um mundo que cabe todo na nossa casa. As lembranças de viagens – feitas ou sonhadas e
ali materializadas - uma peça daqui, outra dali. "Conectar culturas é celebrar o que existe de comum em toda a humanidade", explica ela. Uma máscara africana, uma boneca peruana. Uma louça chinesa sobre a tapeçaria mexicana. Sem
esquecer o nosso próprio país e seu valor. Um mix de povos, histórias, épocas, valores. E complementa: "a força espiritual que conecta as diferentes tradições. Um jeito nômade de descobrir conexões e celebrar as ligações invisíveis
dos povos."
Beleza do imperfeito: parece estranho, mas a beleza já tão ressaltada na cultura japonesa, do inacabado, do "imperfeito" do ritual do chá, dos arranjos de ikebana, todos vistos como um
exercício interminável de manter belo, de se reinventar, tal como um mini jardim japonês na qual você desenha e redesenha tantas e tantas vezes. O exercício do "fora de moda" está nos conceitos dela. A famosa
cultura wabi-sabi, a beleza da imperfeição, bem desenhada na coluna de Verônica Fraga.
Não é encher a casa de tralhas, de coisas estragadas, que não funcionam, ou sem função. E sim, uma forma de manter a sua atenção, fazer de sua casa seu
próprio jardim interno, sempre remodelando, sempre refazendo, sempre atento. " Perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo imperfeito" como fala Verônica.
Ou como eu digo, uma mistura criativa de tudo que te faz melhor. |
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"Imperfeito" ( a palavra em si já me parece estranha, errônea, mas...) , sim, mas tudo no lugar, tudo bem certo, diz Lidewij
. Tudo organizado. E tem razão. Uma porque as casas de hoje, em sua grande maioria, estão menores - vide os apartamentos ( ou apertamentos, como se diz por ai). Ou com muita coisa dentro, nessa era do
consumismo ( abra seu armário...). Aqui entra outra tecla que já bati muito: destralhar-se. Ou, usando um verbo bem atual, deletar. Delete o supérfluo, o inútil, o que você nem vai mais lembrar amanhã. Não da peça
que lembra a infância, o colo de vó, que nos faz voltar no tempo, feito porto, conforto de se saber incluso no mundo, e que nos faz tão bem ( ou você acha que a moda do vintage e do retrô vem de onde?)
Não consegue se
livrar? Então arrume. Reforme, ajeite. Use gavetas, nichos. Descubra novas formas de acertar. Estão precisando de uma revisada? Use palavras como reutilizar, reciclar, reformar.
E abuse de uma ideia que falo muito em meu Facebook (https://www.facebook.com/joyce.diehl): a beleza do simples. Do fácil, do acessível, do material "barato", mas nem por isso "pobre", nem sem graça, nem descartável. "E,
sobretudo, permita o vazio e o celebre. Ele é um convite à criação", fala a design holandesa. E eu assino embaixo. E aplaudo. No espaço vazio – da mente ou da casa – cabe algo novo. Leio mais um trecho do texto. Fala de
habilidades, o que eu chamo de "era das meninas prendadas". Sim, ela fala de uma "guerra", onde cada um escolhe suas "armas": lápis de cor, agulhas de tricô ou crochê, tintas, pincéis, linhas para bordar, tintas para dar um
toque em um móvel com uma pintura especial. Quem sabe aprender a costurar? Ou a fazer a famosa " sobremesa da família"? "Todos nós sabemos que não precisamos de nada disso. Simplesmente vá lá e faça", incentiva ela.
E porque fazer? Customizar, dar àquela peça a sua cara, o seu toque final. Fazer da peça, única. Coisa que falo sempre: a sua casa com a sua cara, a comida com seu gosto. Se não no "todo", em toques. Tempero.
Pimenta, nem que seja de cheiro. |
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Outro conceito dela é lidar com a natureza. Porque tanto interesse em jardinagem, nem que sejam vasinhos de tempero?
Por motivos simples, como sentir-se mais próximo da terra, aprender com ela. Entender os ciclos, cuidar de vidas, experimentar sem tanta responsabilidade. "Viva o hoje intensamente", diz ela, " aprenda a aceitar o eterno
ciclo da mudança de estações como uma bênção" e não castigo. Ela fala em liberdade. Ela fala em ser nômade. Não no sentido de não parar no lugar, de se sentir sem vida se parado demais – em contraste com a minha
"casa oásis". A liberdade da qual ela fala é outra: "o verdadeiro luxo de hoje em dia é poder ser livre", sustenta ela. Livre das modas e dos modismos. Livre das regras de decoração, dos estilos impostos. Livre para sair
e voltar. Livre para ser como você quer ser, longe das limitações precisas, do "ter que". E lembrando que ser livre é também fazer escolhas, sim, mas poder mudar de opinião depois - desde que bem embasadas. Livre de apegos
desnecessários, coisas , sentimentos, pessoas. Livre até, penso eu, da obrigação de ser feliz em tempo integral, doença que nos assola. Ame o cotidiano, diz Lidewij. Parece estranho? Não, pense bem. Dar valor
ao que se faz, aos hábitos já esquecidos, como o de assar um pão ( e tanta gente atrás de máquinas para materializar esse sonho...) . E nesse ato, da escolha de ingredientes, da mão na massa, da espera, do
resultado - o pão – ou o que for – ali na mão, a relação com o momento, feito meditação. Ver o que se fez com as próprias mãos, sua cor, cheiro, textura, sabor. Nenhum é igual. Cada um é um. Ritual. "Cultive pela vida
esta mesma instigante e insaciável fome", poetiza ela... Lembrei dos bolinhos de chuva de minha mãe... |
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Oásis. Palavra que incorporei em meus textos desde sempre. E ela
concorda – ou ela falou e eu concordo? Casa como lar. Casa com alma. Onde se entra e se esquece do mundo. "Meus livros, meus disco e nada mais", como diz a música – e nem precisa ser casa de campo. Seu
inseparável travesseiro, sua forma de colocar a mesa, o lugar onde senta, o seu cheiro. O agrado de seu cão, o som da risada de seu filho, o calor do corpo do seu amor. Refúgio. Forte. Descanso. Amar e ser
amado/a. Amar a vida que se tem. Amar. Na verdade o que noto é muita gente falando a mesma coisa, mas cada um do seu jeito. Tantas Lijs, Verônicas, Mons, Joyces, Ruths, como uma grande conversa amigável. Como imagino que
devam ser as nossas casas. Como imagino - e sonho – que devam ser as nossas vidas. Em resumo: Luz, sim, e à nosso modo, nem muita, nem pouca, como quem toma sol. Conexão, sim, como uma forma de
se viver melhor esse mundo, como forma de caber o mundo todo lá em casa. A beleza do que se gosta, independente de moda. O destralhar-se do que não é útil, arrumar o que está estragado, doar o que não serve
mais. Aprender com a natureza, seus ciclos, suas limitações. Aprender com os animais, grandes mestres em bem viver. A liberdade de se ser e se viver como se quer, sem as amarras do consumismo.
E, acima de tudo, dar valor ao tesouros do dia-a-dia, do prato bem feito, da mesa arrumada com carinho, de tentar fazer o bolo da vovó, e rodear-se de pessoas e objetos que tenham algo a nos acrescentar. Não no bolso,
mas na alma... Pôr na pauta do ano: ser feliz! |
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(*) A catarinense Joyce Diehl
formou-se em arquitetura no ano de 1986 pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Desde então sua carreira passou a ser super movimentada. Logo que ingressou no mercado, especializou-se em
detalhamento, e conseqüentemente especificação de obras residenciais, comerciais e industriais. Entrou para o mundo dos revestimentos através da Cerâmica Portobello, trabalhando como arquiteta no primeiro showroom da
empresa, em Florianópolis,capital catarinense, e depois como promotora de vendas e especificadora da empresa em toda Santa Catarina e Paraná. Tornou-se
pioneira nos serviços de atendimento a clientes (showroom e externo) e especificação de produtos. Qualquer informação adicional pode ser pedida através do e-mail info@revestir.com.br, ou pelo telefone, com a Arquiteta Joyce Diehl. Outros textos de Joyce Diehl no revestir.com
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Programa Gente e Atitudes - Carlos Bust entrevista Joyce Diehl (novo) |
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Artigos/Reportagens em Revistas & Jornais:
http://eusoufamecos.uni5.net/ler/?p=94 Revista Espaço Nobre Móveis Ed.11 Revista Espaço Nobre Móveis Ed.10 Revista Espaço Nobre Móveis Ed.09 Coluna de Maurício Prates.
Tempo de Brasiliedade
Artigo na ImovelWeb
Diário Catarinence 17/07/2008 Joinville Convention (26° Festival de Dança) |
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Revista Conceito Mosarte |
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Revista CASA & Construção Nº 21 |
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Revista ROSSI (novo) |
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Revista Conceito Mosarte |
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