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edição 12 de Nov/07 |
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Hoje vou me dar ao luxo de não falar de revestimentos... |
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por Joyce Diehl (*)
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Ah... estamos na Primavera. Parece cena de desenho animado - daqueles mais antiguinhos: pássaros
cantando por todos os lados, flores de todas as cores e perfumes, e esse ar primaveril, fresco e suave que anda por ai. Acabo de descobrir que Primavera é nostálgica.
Tem temperos na janela e bolo de fubá com leite. Tem lençóis de algodão com bordados florais, amaciados pelo uso, sobre densos colchões. Tem cheiro de lavanda, de terra
revirada e hálito de bala de hortelã. Tem frescor de orvalho. Fico pensando em como trazer este espírito jovem para dentro de nossas casas.
Imagino vasos transparentes acomodando flores luminosas que parecem sorrir para nós. Penso em cores leves nas paredes, mas onde o branco puro não pudesse ficar:
só cores com cara de sorvete. E pinceladas infantis de verdes, azuis e rosas, além do lilás que, ao que parece, nos chama nesta época. A casa teria ares de infância, de
brincadeiras de rua, de empinar pipas, de animados papos na calçada até o sol se pôr, de gargalhadas soltas no ar. Teria banhos mornos e demorados, e uma sopinha leviana – aquelas
dos tempos da vovó. Teria boas conversas na varanda ao som dos grilos e à luz dos vaga-lumes, cochichos e risadinhas reprimidas no escuro dos quartos antes de dormir.
Fiquei imaginando brotarem pela casa as flores da estação, - suaves, crescentes, tomando conta de todas as paredes, dos tecidos das cortinas, das colchas de
retalho, das louças do chá. Discretas na cor e no perfume, chamando para o que tem lá fora. Fiquei imaginando sofás para se jogar e abraçar carentes almofadas. Mesas de jantar
fartas, em tamanho e conteúdo, em sabores e cores, em boas conversas. Cortinas leves esvoaçando ao ritmo leve da dança do final de tarde. Ah, estamos na Primavera,
e eu vou me dar ao luxo de não falar de revestimentos, de acabamentos, não discutir gostos e tendências, não falar do que se deve usar, de como se deve fazer,
de como se deve ser. Vou me dar o luxo de não usar o computador, nem o msn, vou desligar o celular e as telas de LCD. Vou me "desplugar", vou ficar "out".
Afinal, descubro, antes tarde do que nunca, que Primavera tem cheiro de doce, ares de férias...
Joyce Diehl
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