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Hoje, entre as férias que ainda estou – pelo menos por aqui – e a correria das feiras e seus tantos lançamentos,
me darei ao delicioso desfrute de falar de um paraíso. E sei, será bela aula. Sim, porque nada melhor do que a natureza para nos dar belas aulas de arquitetura, de
decoração, de design, de obra, de rumo, de tudo!
Meu paraíso de hoje se chama Costa da Lagoa, deleite incrustado entre o Morro da Lagoa e a própria, na Ilha da
Magia, Villa de Nossa Senhora do Desterro. Mais conhecida como Florianópolis ou simplesmente Floripa. Para se chegar lá – como todo belo paraíso que se preze
- lugar, pessoa ou estado – é difícil. Só de barco, num passeio leve, suave, lento como os olhos admiradores pedem . Ou margeando a lagoa em uma trilha
romanticamente desenhada pelos pés de tantos. No caminho, misto de suspense e surpresa, muito de um silêncio que se faz necessário, delicadamente cortado
apenas pelos pássaros e pelo abrir caminho pelas águas. No caminho, vários portos a esperar, seja amigo, turista ou morador. Na chegada, casa ou bar a nos
receber. Aportar e viver, só o que ali precisamos. No caminho, tantas árvores quanto cabem em nosso olhar. Algumas se expondo ao sol e ao vento. Outras,
pisando na areia ou se derretendo maliciosamente ao convite das águas. Diria que o passeio tem cheiro de cor, cheiro de verde e de azul, cheiro de lagoa e de flor. Um
cheiro só, mistura de tudo isso. Cheiro de preguiça e de malícia.
No caminho – lindo desenho em furta cor - casas azuis, brancas, de todas as cores, tem algo em comum: são
únicas, todas belas, grandes ou pequenas, tesouros molhando seus pés na água morna. No caminhos, piers recebendo calorosamente nosso cansaço, nos recebendo,
feito abraços. Nos piers ou nas prainhas desenhados por Deus, crianças e cachorros intercalando risos e festas, brincadeiras com água, fontes de luz.
No caminho, longo e intenso, mesas a beira da lagoa, abanadas pelo vento e poupadas pelo verde para tirar o calor. Ali não cabe sofrer com os desvios da natureza,
que se preserva intacta ao bem estar. Nas cadeiras, nos derretemos, absortos e hipnotizados pela beleza sem par.
Ah, e jogar conversa fora com algum morador – naquela língua arrastada que só os atentos compreendem – ou conversar com meu
silencio. Paz, tranqüilidade, vento a levar. Deu até vontade de parar pra deixar vir a tona as palavras doces de um versinho qualquer....
Que aula de bem viver, de bem morar
Chegar, viver, ver o dia nascer e morrer Pescar e comer, banho no calor, sol para aquecer. Que mais posso querer? Voltar, sempre e sempre, pois achei ali o meu lugar...
Ou como diria o Rancho de Amor à Ilha (*) : "jamais a natureza reuniu tanta beleza, jamais algum poeta teve tanto pra cantar....".
Deve ter sido inspirado neste lugar, com certeza...
(*) Escolhido em 1965, através de um concurso, como Hino Oficial do Município de Florianpolis, de autoria de
Cláudio Alvim Barbosa (Zininho). |
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